Como pescar mandi é uma das primeiras dúvidas de quem começa no rio, porque o mandi é um dos peixes mais pescados nas bacias do Paraná e do São Francisco e pega isca simples no fundo. Por isso ele costuma ser o primeiro peixe de muita criança e de muito adulto que jurou que só ia olhar. O peixe é pequeno, briga bem para o tamanho e tem três espinhos que pedem cuidado na hora de soltar.
Este guia vale para rio, represa e pesqueiro. Ele cobre onde o mandi come, as iscas de cheiro, a montagem de fundo, a pesca à noite, a fisgada e o jeito de segurar o peixe sem levar ferroada.
Resposta rápida
Para pescar mandi, procure o fundo de remansos, poços e bocas de córrego, do fim da tarde até a noite. Use anzol nº 6 a 2 com minhoca ou fígado, chumbada oliva corrida e linha de 0,30 mm. Espere a ponta da vara firmar antes de fisgar e tire o anzol com alicate, longe dos espinhos.
Índice
Como Pescar Mandi: Conheça o Peixe Antes do Lance
Mandi é o nome popular de bagres pequenos do gênero Pimelodus, e o principal deles na pesca do Sul e do Sudeste é o Pimelodus maculatus, o mandi-amarelo. A ficha da espécie no FishBase registra 36 cm de comprimento comum, 51 cm de comprimento total máximo e 2,4 kg no maior peso publicado, nas bacias dos rios Paraná e São Francisco.
A mesma ficha classifica o mandi-amarelo como onívoro e potamódromo, um peixe que migra dentro dos rios. Ele vive perto do fundo e também aparece em lagoas.
O nome mandi cobre mais de uma espécie. Segundo a ficha de pesca amadora do PNDPA reunida pelo Ambientebrasil, o P. blochii, de 20 a 30 cm e cor amarelada uniforme, é o mandi mais comum na Amazônia e na bacia Araguaia-Tocantins. Já o P. maculatus tem o dorso pardo, os flancos amarelados, o ventre branco e de 3 a 5 fileiras de manchas escuras no corpo.

Pelas manchas, muita gente chama o mandi de pintadinho, mas ele não é o pintado, por mais que a foto no grupo da família diga o contrário. O pintado é um bagre grande, de outro gênero, com isca e técnica próprias no guia de como pescar pintado.
O mandi tem barbilhões compridos em volta da boca e, segundo a mesma ficha do PNDPA, um espinho forte e pontudo na nadadeira dorsal e em cada nadadeira peitoral. Esses três espinhos formam o ferrão do mandi.
Na pesca amadora, o mandi é peixe de volume. Num estudo do Brazilian Journal of Biology sobre a pesca esportiva na Cachoeira de Emas, no rio Mogi-Guaçu (SP), ele aparece entre as principais espécies capturadas, ao lado da curimba e do lambari.
Onde Pescar Mandi no Rio: Remanso, Poço e Boca de Córrego
Como pescar mandi no rio começa pela leitura do fundo. A ficha do PNDPA descreve o mandi nos remansos das margens, e é nesse tipo de água mais lenta, perto de estrutura, que vale lançar primeiro. Estes são os pontos que costumam render.
- Remanso de margem. a água perde força atrás de pedra, tronco ou ponta de barranco, e a comida assenta no fundo.
- Poço e curva funda. a parte mais funda da curva externa, boa nas horas de sol forte.
- Boca de córrego. a água do afluente entra no rio e traz comida, principalmente depois de chuva.
- Abaixo de corredeira. depois das pedras, a água desacelera e forma redemoinhos no fundo.
- Galhada e pilar de ponte. estrutura que quebra a correnteza e junta alimento em volta.
No barranco, lance no fundo de areia ou cascalho ao lado da estrutura, não dentro dela, porque a chumbada de fundo enrosca no meio da galhada, e o rio cobra pedágio em chumbo de quem insiste. A leitura de curva, remanso e barranco escavado está no guia de pesca de barranco.
Como referência prática, chuva leve, que turva um pouco a água e lava comida para o rio, costuma animar o mandi. Enchente forte espalha o peixe e enche a água de galho, e aí vale esperar o rio baixar.
Mandi na Represa: Entrada de Água e Antigo Leito
O mandi-amarelo responde por uma parte importante da pesca em vários reservatórios brasileiros, segundo uma avaliação de estoque publicada no Boletim do Instituto de Pesca sobre a represa de Itá, no alto rio Uruguai. O mesmo estudo não encontrou sinal de sobrepesca no estoque avaliado.
Na represa, o mandi come o que aparece. Num estudo da Acta Scientiarum no reservatório de Manso (MT), a dieta foi dominada por insetos o ano inteiro, e os autores descrevem um peixe de alta plasticidade alimentar, que aproveita o alimento disponível.
Como pescar mandi na represa segue os mesmos sinais do rio: fundo, comida e algum movimento de água. Os pontos que costumam render são estes.
- Entrada de rio e de córrego. a água nova traz comida e oxigênio para o braço da represa.
- Beira do antigo leito. onde o fundo cai de repente, marcando o rio que existia antes da represa.
- Ponta de terra e pedral. a estrutura que avança para o fundo segura comida dos dois lados.
- Margem funda com galhada. árvores submersas em água funda, com o lance ao lado delas, não no meio.
Sem correnteza, a chumbada pode ser bem mais leve que no rio, e a linha mais fina mostra mais toques. Em pesqueiro com mandi, massa e ração entram no lugar da minhoca, sempre com pouca ceva.
Horário, Época e Piracema do Mandi
Como pescar mandi na hora certa muda o número de toques. Como referência prática, o fim da tarde e as primeiras horas da noite costumam render mais, e o começo da manhã vem logo depois. O motivo da luz baixa está no guia de melhor horário para pescar.
Como referência prática, em dia quente, o mandi come mais e mais rápido. No frio, os toques ficam fracos e espaçados, a isca precisa ficar mais tempo parada e as horas de sol do meio do dia passam a render.
Mandi e a Piracema
O mandi é nativo e entra na restrição de pesca da piracema, com datas que mudam por estado e por bacia. Em parte do país a restrição começa já em outubro, e em Minas Gerais começa em 1º de novembro. Confira quando abre e fecha a piracema e a norma do seu estado, com a carteira de pesca amadora em dia. O tamanho mínimo de captura também muda por estado.
Iscas Para Mandi: Cheiro Forte no Fundo
Como pescar mandi com isca natural é a regra, porque ele come no fundo e aceita quase tudo que cheira. No estudo da Cachoeira de Emas, a minhoca foi a isca mais usada pelos pescadores do local, seguida das vísceras de frango.
- Minhoca. em pedaços curtos que cobrem o anzol, com a ponta livre. Minhocuçu em pedaço serve para o mandi maior.
- Fígado de boi ou de frango. em cubo pequeno ou em massa com fubá. Os três preparos estão em como fazer isca de fígado para pesca.
- Coração e moela de frango. firmes, aguentam a beliscada sem sair do anzol.
- Pedaço de peixe. um filé fino de lambari para o mandi grande, onde a regra local permitir.
- Massa e ração. em represa e pesqueiro, quando o mandi divide o ponto com tilápia e piau.
- Queijo prato. em cubo pequeno, isca citada na ficha do PNDPA, firme no anzol e fácil de levar, desde que sobre algum depois do lanche.
No mandi maior, o peixe pesa mais no cardápio. No mesmo estudo da Acta Scientiarum, na baía natural, os mandis grandes comiam principalmente peixe, e os pequenos, inseto, detrito e escama.
Troque a isca sempre que ela voltar lavada, sem cor e sem cheiro. Isca artificial quase não entra na pesca de mandi.
Montagem de Fundo Para Pescar Mandi
Como pescar mandi com a montagem certa é simples: chumbada oliva correndo livre na linha, um girador, um pedaço curto de linha e o anzol. O mandi leva a isca sem sentir o peso, e a ponta da vara mostra o toque.
A tabela é uma referência prática, não uma regra fixa. A faixa nº 6 a 2 segue o porte do mandi comum, e a ficha do PNDPA indica anzol até o 2/0, que fica como teto. Na numeração, número maior é anzol menor, como explica o guia de tamanho de anzol.
A montagem passo a passo, com os nós, está em como montar anzol e chumbada no molinete. Entre a chumbada e o girador, coloque um stop de borracha ou uma miçanga, para o chumbo não bater no nó a cada lance.
O peso certo é o mínimo que leva a isca ao fundo e a mantém no lugar. As faixas por correnteza estão no guia de chumbada de pesca, e no mandi vale a ponta leve de cada faixa, porque chumbo pesado esconde o toque.
A linha de 0,30 mm segura o mandi com folga e aguenta o atrito no fundo de pedra. Quanto ela segura, por marca, está em linha de pesca 0,30 aguenta quantos quilos.
Vara de ação média e molinete pequeno a médio dão conta do mandi, sem precisar do conjunto que o vendedor jura ser o único capaz. A carretilha de perfil baixo também serve. Na espera de fundo, o monofilamento perdoa mais o tranco do que o multifilamento.
Pesca de Mandi à Noite: Lanterna e Boia Luminosa
A pesca de mandi à noite é tradição em muito rio do interior, e a montagem muda pouco. O que muda é a organização na margem, porque no escuro cada tarefa simples leva o dobro do tempo, e achar o alicate vira caça ao tesouro.
Chegue com luz do dia, escolha o ponto e limpe o chão em volta. Deixe isca, alicate e pano sempre no mesmo lugar, ao alcance da mão.
A lanterna de cabeça deixa as duas mãos livres para iscar e para segurar o mandi. Aponte a luz para as mãos e para o chão, nunca direto na água do ponto.

Na pesca de fundo, a vara fica no suporte com a linha levemente esticada. Um bastão luminoso preso na ponteira mostra o toque no escuro, e o mandi costuma avisar em tremidas curtas antes de levar.
Em remanso sem correnteza, a boia luminosa é a alternativa. A isca fica a poucos centímetros do fundo, e a boia acesa afunda ou corre quando o mandi pega. A montagem da boia, com o stop e a regulagem de profundidade, está em como montar vara de pesca com boia.
Pesque à noite só em margem que você já conhece de dia, de preferência acompanhado. Fique longe da beira de barranco escavado, que pode ceder sem aviso.
Fisgada no Mandi: Espere a Ponta Firmar
O mandi belisca antes de engolir, e a ponta da vara treme em toques curtos e rápidos. Fisgar nessas tremidas recolhe a isca mordida, e esperar demais deixa o peixe engolir o anzol.
Como pescar mandi com acerto, então, depende de ler a ponta da vara. A sequência abaixo vale para o fundo e para a boia.
Se a isca volta limpa e o anzol vazio toda vez, a fisgada está vindo cedo ou o anzol está grande para a boca do mandi, que segue jantando de graça. Se o mandi engole fundo com frequência, a fisgada está atrasada, e vale passar para um anzol um pouco maior.
Ferrão do Mandi: Como Segurar e Tirar o Anzol
O ferrão do mandi são os três espinhos duros das nadadeiras, um na dorsal e um em cada peitoral. Numa revisão publicada na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o médico Vidal Haddad Junior relata que, numa série de cerca de 200 acidentes com pescadores de água doce, quase 40% foram causados por bagres e mandis.
A mesma revisão coloca os bagres entre os maiores responsáveis por acidentes com veneno, e diz que os de bagres e mandis doem menos que os de arraia, consolo pequeno para quem está com o dedo latejando. Mesmo assim, a ferroada pode infeccionar, e o caminho é segurar o peixe do jeito certo.
Mandi pequeno cabe inteiro dentro do pano dobrado, com a cabeça para fora. Trate os três espinhos como se estivessem sempre armados e nunca feche a mão de frente para o peixe.
Levou uma ferroada?
Segundo a revisão de Haddad, o veneno dos peixes perde força com o calor. Mergulhe a parte atingida em água quente, mas tolerável, por 30 a 90 minutos, sem queimar a pele. Depois, procure uma unidade de saúde para retirar possíveis fragmentos do espinho, porque a infecção no ferimento é frequente.

Para soltar, devolva o mandi à água rasa de frente para a correnteza e espere ele sair sozinho.
A regra que resume tudo
Fundo de remanso, poço ou boca de córrego no fim da tarde, isca de cheiro em anzol nº 6 a 2 e chumbada oliva correndo livre. Espere a ponta firmar para fisgar e tire o anzol com alicate, com a mão por trás dos espinhos.
Equipamento Para Pescar Mandi
Como pescar mandi não pede equipamento caro. O conjunto é vara de ação média, molinete pequeno a médio, linha de 0,30 mm, anzol nº 6 a 2 e chumbada oliva, mais lanterna de cabeça e alicate para a noite e para o ferrão.
Os cards abaixo cobrem as peças que mudam o resultado na pesca do mandi: o anzol, a linha, a chumbada, o alicate e a lanterna.
Erros Comuns na Pesca de Mandi
Os erros que mais custam peixe na pesca do mandi estão no anzol, no chumbo, na pressa e no manuseio.
- Anzol grande para o mandi comum. acima do nº 2, o mandi morde só a ponta da isca e o anzol volta limpo.
- Chumbada pesada. o mandi sente o peso ao puxar a isca, e a ponta da vara esconde o toque.
- Fisgar na primeira tremida. o mandi ainda está provando a isca, e a fisgada só arranca o pedaço.
- Lançar no meio da galhada. a chumbada enrosca, e o mandi fisgado se enrola nos galhos.
- Segurar o mandi pela frente. a mão fechada de frente para o peixe vai direto nos espinhos peitorais.
- Luz na água à noite. a lanterna apontada para o ponto espanta o peixe da beira e ainda chama todo mosquito da margem.
- Esquecer a piracema. pescar espécie nativa no período fechado é infração ambiental.
Como Pescar Mandi: Conclusão
Como pescar mandi com resultado começa pelo ponto: fundo de remanso, poço ou boca de córrego, do fim da tarde em diante. Dali para a frente, a isca de cheiro e a paciência para deixar a ponta firmar fazem o resto.
A montagem leva anzol nº 6 a 2, linha de 0,30 mm e chumbada oliva leve, correndo livre. À noite, a lanterna de cabeça e o alicate resolvem a parte mais delicada, que é soltar o peixe sem encostar nos espinhos.
Antes de sair, confira a piracema e o tamanho mínimo do seu estado.
Perguntas Frequentes sobre Como Pescar Mandi
Pesque no fundo de remansos, poços e bocas de córrego, do fim da tarde até as primeiras horas da noite. Use anzol nº 6 a 2 com minhoca ou fígado, chumbada oliva corrida e linha de 0,30 mm. Espere a ponta da vara firmar antes de fisgar e tire o anzol com alicate, com a mão por trás dos espinhos.
A minhoca é a primeira opção para mandi, em pedaços curtos que cobrem o anzol com a ponta livre. Fígado de boi ou de frango, coração e moela de frango também funcionam bem. Para o mandi grande, um filé fino de peixe rende mais, e em pesqueiro a massa e a ração entram no lugar.
Como referência prática, anzol nº 6 a 2 em modelo comum, com a isca cobrindo a haste e a ponta livre. O nº 2 vai bem com minhocuçu e peixe no mandi maior, e o nº 6 a 4 com minhoca e fígado em represa. Acima do nº 2, o mandi comum tende a beliscar a ponta e soltar.
Como referência prática, o fim da tarde e as primeiras horas da noite costumam ser as melhores, com o começo da manhã logo depois. Em dia quente o mandi come mais e mais rápido. No frio, os toques ficam fracos, e as horas de sol do meio do dia passam a render.
Os espinhos do mandi ferem e a ferroada dói. Segundo a revisão de Vidal Haddad Junior, os bagres da família do mandi estão entre os principais causadores de acidentes com veneno na água doce, e bagres e mandis somaram quase 40% de cerca de 200 acidentes com pescadores, com dor menor que a de arraia.
Mergulhe a parte atingida em água quente, no limite que a pele tolera, por 30 a 90 minutos, sem queimar. Segundo a revisão de Vidal Haddad Junior, o calor reduz a ação do veneno e alivia a dor. Depois, procure uma unidade de saúde para retirar fragmentos do espinho e evitar infecção.
Procure entradas de rio e de córrego, a beira do antigo leito, pontas de terra e margens fundas com galhada, lançando ao lado da estrutura. Sem correnteza, use chumbada oliva de 5 a 15 g, linha de 0,25 a 0,30 mm e anzol nº 6 a 4. Em pesqueiro, massa e ração substituem a minhoca.
Em parte. Mandi é o nome popular de vários bagres pequenos do gênero Pimelodus. O mandi-amarelo é o Pimelodus maculatus, das bacias do Paraná e do São Francisco. Na Amazônia e no Araguaia-Tocantins, o mandi mais comum é o P. blochii, menor e de cor amarelada uniforme.
Em geral, não. O mandi é nativo e entra na restrição de pesca da piracema, com datas que mudam por estado e por bacia. Em parte do país a restrição começa em outubro, e em Minas Gerais começa em 1º de novembro. Confira a norma do seu estado e leve a carteira de pesca amadora.
O mandi-amarelo tem 36 cm de comprimento comum e chega a 51 cm de comprimento total, com 2,4 kg no maior peso publicado, segundo a ficha do Pimelodus maculatus no FishBase. Peixes desse porte são raros, e a maioria das capturas é bem menor. O tamanho mínimo de captura muda por estado.
Rio, represa ou pesqueiro?
Conta nos comentários onde você pesca mandi, qual isca não falta no seu balde e se o ferrão já deixou alguma história para contar.

Um apaixonado que trocaria qualquer sextou por um dia de pesca. Comecei ainda moleque, aprendendo os macetes com quem entendia mesmo do assunto, e nunca mais parei. Hoje divido aqui as dicas, as histórias e até as fisgadas que escaparam, tudo pra sua próxima pescaria render mais que a minha primeira.













